Discursiva FADESP 2025: mulheres que fazem a diferença

Discursiva FADESP 2025: mulheres que fazem a diferença — questão discursiva FADESP · 2025 · UNIFESSPA. Imagem gerada por inteligência artificial.
Ficha da questão
BancaFADESP
Ano2025
ÓrgãoUNIFESSPA – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
ProvaAssistente em Administração (UNIFESSPA)
DisciplinaAtualidades e Conhecimentos Gerais
NívelMedio
Código652478
Extensão exigida: de 20 a 30 linhas

Um tema subjetivo que exige repertório, tese e recorte comunitário.

📄 A questão, na íntegra

Enunciado · de 20 a 30 linhas

Historicamente, mulheres no mundo todo vêm constantemente lutando por um maior espaço e protagonismo em diferentes esferas sociais. Essa luta, muitas vezes, é invisibilizada, de modo que importantes ações femininas, em muitos casos, acabam não sendo reconhecidas ou têm reconhecimento muito tardio. Em âmbito mais particular, também é comum presenciarmos ou ouvirmos sobre casos de mulheres cujas ações não vêm a público ou que são minimizadas. Assim, elabore um texto em prosa sobre o tema “A(s) mulher(es) que fez(fizeram) a diferença na minha vida ou na vida da minha cidade/comunidade”, expondo os motivos pelos quais essa(s) figura(s) feminina(s) foi(foram) escolhida(s) por você.

🎯 O que a banca queria

A resposta precisava escolher uma figura feminina individual ou coletiva e justificar claramente essa escolha. Era necessário desenvolver uma tese, relacionando a atuação das mulheres a impactos concretos na comunidade. Repertório constitucional, social e legal fortalece a argumentação quando integrado ao tema. O candidato perderia ponto se apenas elogiasse mulheres de modo genérico, sem recorte, exemplos de atuação ou desenvolvimento argumentativo. Também era essencial respeitar o formato em prosa e a extensão de 20 a 30 linhas.

🧭 O que precisa estar na resposta

  • Recorte definido — Escolher uma mulher ou grupo de mulheres e apresentar, desde a introdução, a razão central da escolha.
  • Tese comunitária — Mostrar como a atuação feminina produz efeitos na vida coletiva, e não apenas admiração pessoal.
  • Repertório pertinente — Mobilizar Constituição, direitos sociais, Lei Maria da Penha ou conceitos sociais sem fugir do tema.
  • Argumentação concreta — Explicar ações, impactos e desafios enfrentados pelas mulheres escolhidas, com progressão entre os parágrafos.

✍️ A resposta nota 100

Resposta modelo · de 20 a 30 linhas          A trajetória histórica da mulher é marcada por uma assimetria de poder fundamentada no patriarcado estrutural, o qual relegou a figura feminina ao espaço privado e invisibilizou suas contribuições na esfera pública. Contudo, ao refletir sobre as mulheres que fizeram e fazem a diferença na vida da minha comunidade, é imperativo destacar a figura coletiva das lideranças comunitárias femininas. Essas mulheres, muitas vezes atuando nas periferias e em zonas de vulnerabilidade social, assumem um protagonismo essencial na defesa dos direitos humanos e na mitigação das desigualdades, justificando a escolha por representarem a força motriz da transformação social em nível local.

          A escolha por essas lideranças justifica-se, primeiramente, pelo papel supletivo que exercem diante das lacunas deixadas pelo poder público. À luz do artigo 6º da Constituição Federal de 1988, que elenca os direitos sociais fundamentais, são essas mulheres que frequentemente organizam redes de solidariedade para garantir alimentação, educação e saúde básica aos moradores de seus bairros. Do ponto de vista sociológico, elas ressignificam a divisão sexual do trabalho: o cuidado, historicamente imposto como uma obrigação doméstica e invisível, é elevado à categoria de ação política e comunitária. Ao fazerem isso, elas rompem com o silenciamento imposto pela estrutura machista e tornam-se verdadeiras agentes de cidadania.

          Ademais, a relevância dessas mulheres reside na interseccionalidade de suas lutas. Em sua maioria, são trabalhadoras que enfrentam múltiplas camadas de discriminação, mas cuja atuação transcende o mero assistencialismo, configurando-se como um exercício de micropolítica que gera impactos macrossociais. Elas promovem a conscientização sobre direitos, acolhem vítimas de violência de gênero — fortalecendo a rede de proteção prevista na Lei Maria da Penha — e inspiram as novas gerações a buscarem a emancipação. A invisibilidade que outrora marcava suas ações é, assim, combatida por meio da resistência diária e da construção de um tecido social mais coeso.

          Em suma, as lideranças comunitárias femininas são o alicerce invisível, porém indispensável, do desenvolvimento local. A escolha por homenageá-las neste texto ancora-se na necessidade de promover a igualdade material, conforme preconiza o inciso I do artigo 5º da Carta Magna. Reconhecer o protagonismo dessas mulheres é um dever ético e histórico, pois é por meio de suas mãos que a comunidade resiste, avança e constrói um espaço democrático onde a voz feminina, finalmente, ecoa com a força e a dignidade que sempre lhe foram de direito.

🎓 A aula: como se resolve uma questão assim

Olá, futuro(a) servidor(a)! A prova discursiva é, sem dúvida, o divisor de águas nos concursos públicos modernos. Ela não testa apenas o seu conhecimento gramatical, mas a sua capacidade de organizar ideias, argumentar e demonstrar repertório sociocultural. Em 2025, a banca FADESP, no concurso para Assistente em Administração da UNIFESSPA, apresentou a seguinte proposta de redação:

“Historicamente, mulheres no mundo todo vêm constantemente lutando por um maior espaço e protagonismo em diferentes esferas sociais. Essa luta, muitas vezes, é invisibilizada, de modo que importantes ações femininas, em muitos casos, acabam não sendo reconhecidas ou têm reconhecimento muito tardio. Em âmbito mais particular, também é comum presenciarmos ou ouvirmos sobre casos de mulheres cujas ações não vêm a público ou que são minimizadas. Assim, elabore um texto em prosa sobre o tema “A(s) mulher(es) que fez(fizeram) a diferença na minha vida ou na vida da minha cidade/comunidade”, expondo os motivos pelos quais essa(s) figura(s) feminina(s) foi(foram) escolhida(s) por você.”

Esta questão é uma verdadeira aula de como as bancas estão cobrando temas transversais e sociais. Ela exige que o candidato saia do senso comum e conecte uma experiência particular (a mulher que fez a diferença na sua vida ou comunidade) com um fenômeno sociológico global (a invisibilização histórica da mulher). Vamos dissecar os conceitos por trás dessa cobrança para que você gabarite qualquer discursiva com essa modelagem!

1. A Estrutura Exigida: O que é um “Texto em Prosa”?

A banca foi categórica ao pedir um texto em prosa. Mas o que isso significa na prática do concurso? A prosa é a forma natural da linguagem escrita ou falada, organizada em parágrafos, frases e períodos contínuos, em oposição à poesia (que é organizada em versos e estrofes). Contudo, em concursos, “texto em prosa” geralmente vem atrelado a uma tipologia textual específica. No caso desta questão, a banca pede para você “expor os motivos”, o que caracteriza um texto dissertativo-expositivo ou dissertativo-argumentativo, com fortes traços de relato/narrativa (já que permite a primeira pessoa: “na minha vida”).

  • Introdução: Deve apresentar a figura feminina escolhida e contextualizá-la dentro do panorama histórico de invisibilidade citado no texto motivador.
  • Desenvolvimento: É aqui que você “expõe os motivos”. Não basta contar uma história; é preciso argumentar por que as ações dessa mulher foram transformadoras.
  • Conclusão: Um fechamento que conecte a história dessa mulher à importância do reconhecimento do protagonismo feminino na sociedade.

2. O Eixo Temático: Invisibilidade e Protagonismo Feminino

Para construir um Padrão de Resposta nota máxima, você precisa de repertório sociocultural. A questão aborda diretamente a “invisibilização” das ações femininas. Vamos aprofundar os conceitos teóricos que fundamentam esse tema e que servem para qualquer redação sobre minorias e direitos humanos [1, 2].

2.1. O Patriarcado e a Divisão Sexual do Trabalho

Historicamente, a sociedade ocidental estruturou-se sob o modelo patriarcal, relegando à mulher o espaço privado (o lar, o cuidado com os filhos) e ao homem o espaço público (a política, o mercado de trabalho, a ciência). Essa divisão sexual do trabalho é a raiz da invisibilidade citada pela banca. Quando uma mulher realizava um feito no espaço público, ele frequentemente era minimizado ou apropriado por figuras masculinas (o chamado “Efeito Matilda” na ciência, por exemplo).

2.2. A Economia do Cuidado (Care Economy)

Um conceito moderníssimo e excelente para provas! A banca fala sobre mulheres que fizeram a diferença na “comunidade”. Muitas vezes, essa diferença se dá pelo trabalho de cuidado (cuidar de doentes, educar, organizar a comunidade), um trabalho essencial para a manutenção da sociedade, mas que não é remunerado e é historicamente invisibilizado pelo capitalismo. Citar a “economia do cuidado” eleva o nível da sua argumentação.

2.3. Interseccionalidade

Se a mulher escolhida por você for negra, indígena ou de classe baixa, o conceito de interseccionalidade (cunhado por Kimberlé Crenshaw) é obrigatório. Ele explica como diferentes eixos de opressão (gênero, raça, classe) se cruzam, tornando a invisibilidade dessa mulher ainda mais profunda e, consequentemente, sua luta e protagonismo ainda mais heroicos e dignos de nota.

3. Critérios Universais de Correção Discursiva

Para garantir que seu texto alcance a excelência, entenda os três pilares que o examinador procura:

  • Coesão e Coerência: O uso correto de conectivos (portanto, ademais, por conseguinte) para ligar os parágrafos e a progressão lógica das ideias. Se você diz na introdução que a mulher lutou contra o machismo, o desenvolvimento deve provar isso.
  • Adequação Vocabular e Norma Culta: Evitar clichês (“desde os primórdios da humanidade”, “no mundo em que vivemos”), gírias e desvios gramaticais (concordância, regência, crase).
  • Progressão Temática: O texto deve ter começo, meio e fim claros, sem ficar “andando em círculos” repetindo o mesmo argumento com palavras diferentes (tautologia).

Conclusão: Dominar a redação discursiva exige a união entre a forma (estrutura em prosa, norma culta) e o conteúdo (repertório sobre o protagonismo feminino, sociologia). Ao compreender a raiz histórica da invisibilidade feminina, você não apenas responde à questão da UNIFESSPA com maestria, mas se prepara para qualquer tema de direitos humanos, cidadania e minorias sociais em futuros certames.

Mapa da Aprovação: Resumo Esquematizado

Dimensão da DiscursivaElementos-Chave (O que FAZER)Pegadinhas (O que EVITAR)
Estrutura (Texto em Prosa)Organização em parágrafos (Intro, Desenv, Conclusão). Uso de conectivos. Progressão lógica.Escrever em versos. Fazer tópicos (bullet points). Usar linguagem de “diário íntimo” só porque o tema é pessoal.
Atendimento ao TemaEscolher uma figura feminina específica (vida/comunidade) + Expor os motivos da escolha.Falar de mulheres genéricas. Focar apenas na teoria feminista e esquecer de citar a pessoa exigida pelo comando.
Repertório SocioculturalCitar: Divisão Sexual do Trabalho, Economia do Cuidado, Patriarcado, Interseccionalidade.Usar senso comum (“mulheres são guerreiras por natureza”). Fazer generalizações sem embasamento histórico [3].
Linguagem e GramáticaNorma culta, vocabulário preciso, respeito à sintaxe (concordância, regência, pontuação).Gírias, coloquialismos, frases fragmentadas, períodos longos demais que geram ambiguidade.

Teste Seus Conhecimentos: Questões de Fixação

Questão 1

(Inédita/Simulado) Em provas discursivas de concursos públicos, frequentemente as bancas solicitam a elaboração de um “texto em prosa”. Considerando as tipologias textuais e as exigências estruturais desse formato, assinale a alternativa correta:

A) O texto em prosa permite o uso de versos livres, desde que o candidato mantenha a coerência argumentativa sobre o tema proposto.

B) Ao solicitar um texto em prosa com o comando “exponha os motivos”, a banca exige um texto estruturado em parágrafos contínuos, caracterizando predominantemente a tipologia dissertativa-argumentativa ou expositiva.

C) A redação em prosa, por ser mais livre, dispensa a obrigatoriedade de introdução, desenvolvimento e conclusão, focando apenas na criatividade do candidato.

D) Quando o tema da prosa exige uma abordagem pessoal (ex: “na minha vida”), o candidato está autorizado a utilizar gírias e coloquialismos para dar veracidade ao relato.

E) O texto em prosa é sinônimo de texto narrativo ficcional, não sendo adequado para a exposição de teses ou argumentos sociais.

Gabarito: B Comentário:
A alternativa B está correta. A prosa é o texto escrito em linha reta, organizado em frases, períodos e parágrafos. O comando “exponha os motivos” induz à dissertação (expositiva ou argumentativa), onde se defende um ponto de vista com base em argumentos.
A alternativa A está errada porque versos são características da poesia, o oposto da prosa.
A alternativa C está errada porque a estrutura clássica (introdução, desenvolvimento e conclusão) é fundamental para a coesão e coerência em textos dissertativos em prosa.
A alternativa D está errada. O fato de o tema ser pessoal não anula a exigência do uso da norma padrão da língua portuguesa em concursos.
A alternativa E está errada. A prosa abrange contos e romances (ficção), mas também abrange ensaios, artigos, dissertações e teses (textos não ficcionais e argumentativos).

Questão 2

(Inédita/Simulado) Ao abordar o tema da “invisibilidade histórica das ações femininas” em uma redação discursiva, o candidato que deseja demonstrar alto nível de repertório sociocultural deve fundamentar seus argumentos em conceitos sociológicos consolidados. Qual dos conceitos abaixo explica adequadamente a raiz estrutural dessa invisibilidade?

A) A Teoria do Capital Humano, que postula que as mulheres historicamente optaram por não investir em sua própria educação formal.

B) O Determinismo Biológico, que justifica a ausência feminina nos espaços de poder como uma consequência natural e imutável da genética humana.

C) A Divisão Sexual do Trabalho atrelada ao sistema patriarcal, que historicamente confinou a mulher ao espaço privado e reprodutivo, minimizando suas contribuições no espaço público.

D) O Darwinismo Social, que comprova que as ações femininas foram invisibilizadas porque não contribuíram para a evolução tecnológica das sociedades.

E) A Meritocracia Absoluta, que demonstra que o reconhecimento tardio das mulheres ocorreu apenas por falta de esforço individual no período pré-Revolução Industrial.

Gabarito: C Comentário:
A alternativa C está correta. A divisão sexual do trabalho (homem = provedor/espaço público; mulher = cuidadora/espaço privado) sob a égide do patriarcado é o conceito sociológico central para explicar por que as ações das mulheres foram sistematicamente apagadas ou minimizadas da história oficial.
As alternativas A, B, D e E apresentam conceitos que, além de incorretos do ponto de vista sociológico contemporâneo, reproduzem discursos machistas, preconceituosos e anticientíficos. Utilizar qualquer um desses argumentos em uma prova discursiva resultaria em penalização severa, inclusive por ferir os Direitos Humanos.

Questão 3

(Inédita/Simulado) Leia o comando de redação a seguir: “Elabore um texto em prosa sobre o tema ‘A mulher que fez a diferença na minha cidade’, expondo os motivos pelos quais essa figura foi escolhida.”
Um candidato redige um texto excelente, com gramática impecável, discorrendo em três parágrafos sobre a história do movimento sufragista no Brasil e a importância do voto feminino, mas conclui o texto sem citar nenhuma mulher específica de sua cidade. De acordo com os critérios de correção de bancas examinadoras, esse candidato:

A) Receberá nota máxima, pois o movimento sufragista é um excelente repertório sociocultural para o tema de mulheres.

B) Sofrerá penalização por fuga parcial do tema, visto que ignorou o núcleo de comando que exigia a escolha e exposição de motivos de uma figura feminina específica de sua cidade.

C) Terá a redação anulada (nota zero) por fuga total do tema, já que o voto feminino não tem relação com o protagonismo da mulher.

D) Perderá pontos apenas no critério de “Norma Culta”, pois a estrutura argumentativa foi mantida.

E) Receberá bônus na nota por ter extrapolado o tema local (cidade) e abordado um tema de relevância nacional (sufrágio).

Gabarito: B Comentário:
A alternativa B está correta. Este é o erro mais comum em discursivas: a fuga parcial do tema (tangenciamento). O candidato falou sobre o assunto geral (mulheres/protagonismo), mas não atendeu ao recorte temático específico exigido pelo comando (uma mulher da sua cidade e os motivos da escolha).
A alternativa A está errada porque repertório não substitui o atendimento ao comando da questão.
A alternativa C está errada. Não é fuga total (nota zero), pois ele ainda se manteve dentro do macrotema (direitos/protagonismo feminino). É uma fuga parcial.
A alternativa D está errada, a penalização ocorrerá no critério de “Tema/Texto” ou “Compreensão da Proposta”, não em gramática.
A alternativa E está errada. Bancas não dão “bônus” por desobedecer ao comando; elas penalizam.

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